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NBuenos Aires desde Río de Janeiro, Brasil
por Andrea Santos»n
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A Flor de Baires.

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Versión Español»

Auto-retrato, 1998.
Floriano Martins
Nesta nova proeza Buenos Aires desde Rio de Janeiro, sinto-me com uma grande vaidade e instigação, pois falar de Copacabana e das generosidades dadas por Deus ao Rio de Janeiro seria nesta hora muito fácil. Entretanto, o desafio é por esta relação simétrica.

No passar dos dias em meu quarto, lendo coisas, redigindo coisas e debatendo-as como escrever a você, nada vinha à mente. Foi, então, numa noite chuvosa que resolvi telefonar a Floriano Martins (1) (poeta, escritor e editor brasileiro) que retornara de Buenos Aires -cidade a qual lhe parecia tão íntima a: Baires}, ele pode apresentá-la a mim!

Esta exposição dera-se por nossa conversa no velho bar Garota de Ipanema (mistura de música, boemia e literatura). Ali começara minha ligação com a Argentina. No garota, Pedimos vinho e principio a minha descoberta ao prata.

Na narrativa de meu poeta, há aparecimentos de poesia nos cantos das livrarias e suas montanhas de livros raríssimos. Do velho casarão transformado em hotel -ao centro desta cidade e nas ruas de dentro- com sua imensa escada e seu ar soturno acompanhado de um porteiro de poucas palavras. Nas idas aos cafés, sob as manhãs daquela primavera, com suas louças requintadas e Homens de nacionalidades diversas- adicionando ao ambiente os sons das nossas línguas diferentes. Na minha busca a esta poética, ele inclui a visão do Teatro Colón e a elegância pessoal na insustentável leveza dos seres. Tudo mais uma vez, acrescentado e apresentado num tom poético a mim. Nesta linguagem romântica, tive a presença de Aldo Pellegrini na voz portuguesa dizendo-me que:
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Alguém que desperta (2)

Abre teus olhos de barro
teus olhos de céus e de noite interrompida
teus olhos de alfombra, teus olhos pisoteados
abre-te à luz e à sombra e aos ventos
à sombra negra que lançam os corpos.
árvore da cegueira, das mortes,
caminho dos desaparecidos,
marchas até os olhos abertos do tempo
até a água pura do instante que corre
quando te deténs te tornas invisível
quando andas te destróis
és somente a sombra da idéia de ser
porém com o vão de tua mão a tudo vês
pelo vão de tua mão te derramas,
corpo ávido de carícias de atmosferas,
mil vezes impassível, mil vezes terno,
porém finalmente absorvido pelo nada
que corroí lentamente a água do tempo
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Colunas circulares, 1998.
Floriano Martins
O meu trovador como todo sequioso por literatura tem encontros com singularidades argênteas como Francisco Madariga (com ele o registro também foi escrito), Leônidas Lamborghini e Juan Gelman, Rodolfo Alonso e Jorge Ariel Madrazo, e não sei para minha imaginação aumentar tudo ao som de Fito Páez -este conheço!

Desta maneira, guardei a fotografia narrada como o Rio de antigamente onde debruçávamos sonhadoramente pelos cartões postais: seus velhos palácios e galerias com a mesma singularidade das flores vendidas nesta primavera de agora e de minha apresentação a Baires. Nas retratações, tenho similitudes e em ambas viajo, atrevendo-me criar literatura à necessidade humana. Posso ousar e dizer que elas são o luxo do grande artista, ao alcançar o máximo de nuances com tão poucos elementos. Das ruas aos odores e vozes; há seu segredo na simplicidade do olhar descritivo.

Na verdade a sessão com Floriano e Buenos Aires dos anos 80, faz-me lembrar daquele tempo que as cidades que relaciono eram as desejadas pelo mundo, onde em muitas voltas escutei: vou a Buenos Aires ou cheguei ao Rio. A quem ia, regressava com malas cheias de presentes e a velha frase: Isto é para... você! Neste ato já tido como parte integrante das memórias, eu podia construir meus flashes para a minha pequena harmonia.
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O concerto (3)

Para quem estamos? Para
A luz, apenas. De onde
Venha que o seja através
Da arte: nuvem, rosto,
O artifício de um gesto
Oculto. Cenas refletindo
A si mesmas, sombras
De revolta memória.
Obscuras cenas da luz,
O que ruminam senão
A dor contida que tecem
Diante de seus olhos?
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Rio antigamente
Nas realidades de Baires e Rio, ainda necessitamos como antigamente desta visão romântica de nossas cidades, assim nascem as poesias! Seja ontem ou hoje temos sede dela. E por conseguinte, nesta coluna, quero abrir diariamente os poemas e livros dos versos da gente Baires-carioca por inteira. Como não posso publicá-los dez, vinte ou mais vou procurar os poetas, os quais peço perdão as minhas más palavras e meus maus versos. Ah, me perdoem todos, impressos ou não, mas me dedico a procurá-los como se estivesse ao encontro de uma pessoa amiga, mas neste primeiro episódio já encontrei uma e vos apresentei outra e assim é a vida em Baires ou Rio: o jogo de apresentações.

Obrigado a você, meu querido Flor de Baires (Floriano Martins) pelo vinho argênteo, pelas confissões no tom poético concreto e transparente, onde pude construir minha relação íntima com a tua Baires e a minha Rio.
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(1) Floriano Martins (Fortaleza, 1957). È autor de vários livros de literatura hispano-americana, sobretudo no que diz respeito à poesia. Tem seu nome nas vias de colaborações à imprensa, no Brasil e exterior. Integra o conselho editorial das revistas El Artefacto literario (Suíça) e Poesia Sempre, da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, sendo também correspondente de revistas na América Latina.

(2) Tradução feita por Floriano Martins em O Começo da Busca: O surrealismo na poesia da América Latina - São Paulo: Ed. Escrituras,2001.

(3) Martins, Floriano.Alma em Chama,1998.

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