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NBuenos
Aires desde Río de Janeiro, Brasil |
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| Aos
altos candelabros das praças, clamamos liberdade. |
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A
un gran- estimado Juan C. Aguilar
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| Versión
Español» |

Candelaria

Madres de Maio

Mulheres |
A
aurora surgiu e com ela o sol em aptidão
máxima, a cidade começa acordar afugentando
qualquer resquício da madrugada. O Rio de
Janeiro é o desejo refreado, uma voz de amor,
uma espectadora dos acontecimentos. Ela, a cidade,
nos é mãe?! Lembrando de mãe,
temos símiles mães e praças!
Nossas mães, as da Candelária, são
um movimento maternal que como as outras mães
da Praça de Maio, dão sentido às
reiterações a quem parecem ensinar
como mudar a repetição e a rotina
em ações de transformação.
Então, a nós é restituída
a confiança desprendida por estas genitoras
que se encontram em um determinado dia da semana
para clamar a volta de filhos e sobretudo da liberdade
perdida nas casas, nas praças, na cidade
que nos é mãe.
Elas representam o grande ideal de familiaridade,
um haver sem igualdade, de justiça como finalidade.
Na praça da Candelária ou de Maio
são obreiras da esperança:
À
boca pequena
Na
boca da minha mãe: palavras
Coisas de puro sentimento.
Na casa da minha mãe: pretexto
Que nos cercam.
A tudo é seu pensamento
Da entrada a saída.
Na boca da minha mãe: há minh' alma.
E
observando estas mães cariocas e argênteas,
tenho um pressentimento que depois do parto elas
transmutam-se, inclusive no próprio juramento
diante do padre. Las Madres Baires-Cariocas não
pronunciam nada, porém prometem-nos fidelidade
na felicidade e nas adversidades. O amor delas não
acaba, não congela e não há
justificação, sente-se!
As minhas procuram justiça às crianças
assassinadas por policiais civis enquanto dormiam
em praça e somam a esta empreitada a busca
de quem foi perdido na jornada. Na minha praça
a bala tocou o sino mais que o cobre. É dor
de meninos na confiança da majestosa catedral,
onde muitas voltas serviam de abrigo a solidão
do seu destino, ao sono do menino. A minha praça
passou a ser uma estampa do Brasil, dobrando-se
aos badalos surtos e calados da miséria deste
povo. As de Baires exigem a magistratura de seus
execráveis governadores, uma atenção
àqueles desamparados. Recriam a cada encontro
uma maneira nova de luta por dignidade, desenvolvendo
serviços à comunidade, à minha
literatura e ao povo menor num geral.
Representar a grandeza, a possibilidade para o futuro,
a perspectiva de mudança, o nascer de novos
cidadãos guardando na memória a retirada
de seus filhos na consciência somente, é
fato histórico de sublime representação
popular. |
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Neste
novo enredo não trago nada novo, porém,
há algo de novo entre o céu e a terra que
nem Hamlet nem tampouco Fukuyama conseguiram confabular?
Talvez sim ou não. Todavia simbolizar a história,
nesta representação materna, é testemunhar
o nosso cotidiano onde nossas semelhanças sofrem
iconoclastia mesmo na distância quilométrica.
Trazer as praças maternas é fruto desta
caminhada homogênea das famílias quebradas
por civis, militares e homens de poder. Com uma certa
angústia conhecida, tento escrever com certa alma,
perco-me tranqüilamente nos pensamentos. Agradeço
as mães da Candelária e de Maio pela inteligência,
coragem, força e simplesmente por requerer a vida
pela vida.
A praça
d'alma vive os seus traumas
Filhos
perdidos, mortos
Mães deram céus, sentem o fel.
Diárias
fugas,
Imagens mudas
Estátuas esculpidas
Restos existências
Vidas criminais.
Luta
vã
Mães, mulheres, clãs.
Sociedade
da massa
Perceptível às farsas
Folhas caídas ao chão
Corpos humanos em vão.
Praça
d'alma sentimento mudo
Leito de manifesto
As mães da praça e seus gestos.
Os
filhos, as mães, da morte.
A alma e a sorte
A busca incessante.
Os
filhos, as mães, a morte.
O sortilégio da vida
Os filhos, as mães, na morte.
Em espelho d'alma.
A
vida é bela. Açucarada. É poesia.
As nossas mães têm uma longa e tortuosa via
a enfrentar, mas suas bandeiras estão de pé,
aqui e aí. Sempre postas à frente da dignidade
humana, pois a vida também é feita de utopia.
E como poesia, são hinos, unidas em irmandades.
A fuga, a passividade e amnésia fazem perder o
prumo e o rumo, castigando nossos sonhos e agredindo a
inteligência, elas devem ser enterradas. A ligação
maternal entre o Rio e Buenos Aires é mais uma
simbologia do povo latino americano, representa humanidade,
a imensidão de um amanhã em nossas casas,
estas genitoras são pres.
Em suas ganas devolutivas não há chumbo,
somente justiça quando convém. Esta geração
castrada pelas mãos daninhas vai às ruas
sem a bestialidade praticada de outrora. Seus corações
já sentem, na maioria, a perda, coração
de mãe avisa!
Eis que minha atenção nesta coluna fora
despertada por uma praça solitária, a qual
relembra fuzil, tristeza que me vai sem fronteiras. Las
madres nas praças são flamas perdidas
por sua cria, clamando ação com a terrível
tortura, porém, com a ética e a nobreza
que somente estas fontes geradoras sabem ter.
Entre
paredes
Você
que cruzava meu quarto
Pendendo-se sobre minha vida,
Ou nas folhas de meus livros;
Quiçá de meus pensamentos.
Neste coração corrias à noite
Com a glória ou o temor
Nas dicções desarrumadas em mim.
Ainda assim, cruzavas à noite
A sombra da luz que me perseguia em sonhos
Eras o amparo.
Mas como teu perfume não há igual
Não te procuro mais na minha última morada.
A
Poesia A praça d'alma vive os seus traumas de Renata
Carneiro de Holanda, poeta e professora de Espanhol.
As
poesias A boca pequena e Entre paredes são de autoria
de Andréa Santos. |
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