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NBuenos Aires desde Río de Janeiro, Brasil
por Andrea Santos»n
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Isto não é um Trac-Trac portuñol, é um vice-versa!

Para Esteban Flamini por sua força

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Versión Español»

Herbert Vianna


Herbert Vianna


João Barone, Herbert Vianna
e Bi Ribeiro
As relações mantidas por nós que moramos em apartamentos ou casas quase sempre são a mesma: o balbuciar de algumas frases nominais em calçadas ou no condomínio. Relações de balbuciantes. O ciúme e a rivalidade estão inúmeras vezes em pluralidade entre vizinhos. Entre brasileiros e argentinos é precisamente assim, estejam relações diplomáticas, político-econômicas ou esportivas. Uma quase secular rivalidade fomentada pelo futebol e lamentavelmente ampliada no cotidiano. Quem nunca torceu contra o país vizinho na copa do mundo, sem muitos motivos? Quem jamais escutou alguém falar mal de argentino mesmo que este jamais tenha conhecido pessoalmente um? (tudo, aqui, é no jogo do vice-versa!). Primeiramente, este antagonismo é motivado pelo futebol, pelo ignorado e conseqüentemente pelo desprendimento bilateral e pela má atuação dos outros.

É impressionante como sabemos tão pouco dos nossos países, e vice-versa. Os chavões e preconceitos são muito usuais. As informações gerais para a maioria dos brasileiros sobre a Argentina são uma síntese de Evita, Maradona, tango-Gardel, crises econômicas/protestos, churrasco, arrogância e frio. Do outro lado, os argentinos têm o Brasil neste sumário Pelé, praia, samba/carnaval, caipirinha, mulheres e o trinômine favela/miséria/ violência. Nossas culturas estão muito mais do que isto!

Quase nula, a permuta cultural ainda é muito pequena. É muitíssimo grande o número de brasucas que não tem conhecimento do nome de um filme, de um cantor ou de um escritor argentino. O mesmo ocorria com um argentino se indagado a respeito de um filme, cantor ou escritor brasileiro.

È evidente que possuímos uma diversidade cultural nos hábitos, nos trejeitos, na moda, porém há similitudes entre nós. Dentre tantas semelhanças, exporia a malandragem típica dos portenhos recordando muito a dos cariocas. Desta forma, temos a obrigação de lembrar: somos todos latino-americanos, e, por conseguinte nossos costumes são diversos dos anglo-americanos. Enquanto, latino-americanos, somos calorosos; não nos reduzimos a apenas um aperto de mão frígido ao cumprimentar uma dama. Do lado de cima da linha do Equador, os americanos nem ousariam expor esta calidez no cumprimento.

Entretanto, a eventualidade nos aproxima, concluindo em uma via turística importante. Se os argentinos tomam os litorais de Santa Catarina e do Rio de Janeiro para veranear; os brasileiros possuem como roteiro –importantíssimo– à lua-de-mel em Buenos Aires ou, ainda, em Bariloche e suas estações de esqui no inverno. Promovem, então, nestas idas e vindas uma afeição recíproca entre argênteos e brasucas.

Nossos países possuem galerias de paisagens ímpares a contemplar, nisto devemos ser veementes. Pode não haver nada na Argentina que se iguale ao litoral e às praias brasileiras. Ou ainda se pronunciarmos: carnaval. Mas neste lado amazônico, não há às estações de esqui da Cordilheira dos Andes, nem tão pouco às atrações de Buenos Aires ou da Patagônia. Os panoramas são a todo o momento variados. Nestes lugares, a convivência com a cultura, o povo e a terra são toques sempre fascinantes. Nestas idas viajantes, gozamos nos primeiros contatos com os modos de ser e de viver do povo,
com o idioma, com os costumes diferentes para comidas, bebidas, músicas, filmes e danças típicas.

Porém, como toda regra, tem-se uma exceção raramente sobrepujada. Contudo, precursores existem para saltar “muros”. A citação, aqui, será do grupo musical “Paralamas do Sucesso” e do seu vocalista Herbert Vianna. Culturalmente falando, este compositor e cantor brasileiro divulgou a música popular Argentina, regravando músicas de bandas e cantores portenhos para nossos ouvidos.

Em suas caminhadas pelos versos argentinos, temos “Trac-Trac” que em versão original é de Fito Páez, e “Lourinha Bombril” outra versão a “Párate y Mira” do conjunto Los Pericos. De mais a mais, conseguiram ultrapassar a fronteira nos anos 90, gravar em espanhol e realizar shows na Argentina.

Depois ter sofrido o grave acidente de ultraleve, Herbert Vianna volta à estrada com João Barone e Bi Ribeiro. Os Paralamas do Sucesso lançam Longo Caminho, que marca o renascimento de Herbert como músico e é definido por ele como "o disco da minha renascença".

Renascença que é exemplar a muitos. A força de vontade e o amor à vida não o deixaram perder a essência da musicalidade a qual possui. Herbert voltou a casa, e os Pára-lamas estavam lá acompanhando sua recuperação e tentando detectar o momento em que poderiam iniciar os sons do sucesso. Quase quatro meses depois do acidente, começava a tocar, como uma criança a engatinhar. Apesar de toda seqüela, a memória musical está basicamente intacta em Herbert e como de costume volta a quebrar o ‘muro’ gravando com Fito Páez Flores e espinhos. Mais uma vez, nos mesclamos em Rio e Baires.

Flores e Espinhos (Herbert Vianna)

Nessa época do ano
Quando o frio vem chegando
E há menos flores que espinhos
Os dias perdidos
Vem a luz
Ainda éramos filhos
Éramos amigos
Até sermos engolidos
Pela vida sem brilho
Por nossos inimigos
Na rotina comum
E sou só um
Mas não sou um deles
Eu sou só um
E mesmo que pareça tolo
E sem sentido
Eu ainda brigo por sonhos
Eu ainda brigo

Intercâmbios, e especialmente culturais, entre nossos países precisam acontecer, a troca Páez e Paralamas é um bom exemplo para entrarmos na sua casa e vice e versa.

A ligação entre nossas culturas é importante para nosso futuro, seja neste Mercosul ou não. O que não podemos nesta hora é continuar a política de ‘amanhã talvez’.

Como vizinhos e irmãos, alcançaremos o conhecimento mútuo quando quebrarmos esta barreira Brasil-Argentina caminhando às flores baires-cariocas e deixando estes espinhos para acima da Linha do Equador!

Cuide bem do seu amor (Herbert Vianna)

A vida sem freio me leva
Me arrasta, me cega
No momento em que eu queria ver
O segundo que antecede o beijo
A palavra que destrói o amor
Quando tudo ainda estava inteiro
No instante em que desmoronou
Palavras duras
Em voz de veludo
Há um segundo tudo estava em paz
Cuide bem do seu amor
Seja quem for
E cada segundo, cada momento, cada instante
É quase eterno, passa devagar
Se seu mundo for o mundo inteiro
Sua vida, seu amor, seu lar
Cuide tudo que for verdadeiro
Deixe tudo que não for passar!
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