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NBuenos
Aires desde Río de Janeiro, Brasil |
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| Isto
não é um Trac-Trac portuñol, é
um vice-versa! |
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Para Esteban Flamini
por sua força |
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Español» |

Herbert Vianna

Herbert Vianna

João Barone, Herbert Vianna
e Bi Ribeiro |
As
relações mantidas por nós que
moramos em apartamentos ou casas quase sempre são
a mesma: o balbuciar de algumas frases nominais
em calçadas ou no condomínio. Relações
de balbuciantes. O ciúme e a rivalidade estão
inúmeras vezes em pluralidade entre vizinhos.
Entre brasileiros e argentinos é precisamente
assim, estejam relações diplomáticas,
político-econômicas ou esportivas.
Uma quase secular rivalidade fomentada pelo futebol
e lamentavelmente ampliada no cotidiano. Quem nunca
torceu contra o país vizinho na copa do mundo,
sem muitos motivos? Quem jamais escutou alguém
falar mal de argentino mesmo que este jamais tenha
conhecido pessoalmente um? (tudo, aqui, é
no jogo do vice-versa!). Primeiramente, este antagonismo
é motivado pelo futebol, pelo ignorado e
conseqüentemente pelo desprendimento bilateral
e pela má atuação dos outros.
É
impressionante como sabemos tão pouco dos
nossos países, e vice-versa. Os chavões
e preconceitos são muito usuais. As informações
gerais para a maioria dos brasileiros sobre a Argentina
são uma síntese de Evita, Maradona,
tango-Gardel, crises econômicas/protestos,
churrasco, arrogância e frio. Do outro lado,
os argentinos têm o Brasil neste sumário
Pelé, praia, samba/carnaval, caipirinha,
mulheres e o trinômine favela/miséria/
violência. Nossas culturas estão muito
mais do que isto!
Quase nula, a permuta cultural ainda é muito
pequena. É muitíssimo grande o número
de brasucas que não tem conhecimento do nome
de um filme, de um cantor ou de um escritor argentino.
O mesmo ocorria com um argentino se indagado a respeito
de um filme, cantor ou escritor brasileiro.
È evidente que possuímos uma diversidade
cultural nos hábitos, nos trejeitos, na moda,
porém há similitudes entre nós.
Dentre tantas semelhanças, exporia a malandragem
típica dos portenhos recordando muito a dos
cariocas. Desta forma, temos a obrigação
de lembrar: somos todos latino-americanos, e, por
conseguinte nossos costumes são diversos
dos anglo-americanos. Enquanto, latino-americanos,
somos calorosos; não nos reduzimos a apenas
um aperto de mão frígido ao cumprimentar
uma dama. Do lado de cima da linha do Equador, os
americanos nem ousariam expor esta calidez no cumprimento.
Entretanto, a eventualidade nos aproxima, concluindo
em uma via turística importante. Se os argentinos
tomam os litorais de Santa Catarina e do Rio de
Janeiro para veranear; os brasileiros possuem como
roteiro –importantíssimo– à
lua-de-mel em Buenos Aires ou, ainda, em Bariloche
e suas estações de esqui no inverno.
Promovem, então, nestas idas e vindas uma
afeição recíproca entre argênteos
e brasucas.
Nossos países possuem galerias de paisagens
ímpares a contemplar, nisto devemos ser veementes.
Pode não haver nada na Argentina que se iguale
ao litoral e às praias brasileiras. Ou ainda
se pronunciarmos: carnaval. Mas neste lado amazônico,
não há às estações
de esqui da Cordilheira dos Andes, nem tão
pouco às atrações de Buenos
Aires ou da Patagônia. Os panoramas são
a todo o momento variados. Nestes lugares, a convivência
com a cultura, o povo e a terra são toques
sempre fascinantes. Nestas idas viajantes, gozamos
nos primeiros contatos com os modos de ser e de
viver do povo, |
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com o idioma, com os costumes diferentes para comidas,
bebidas, músicas, filmes e danças típicas.
Porém, como toda regra, tem-se uma exceção
raramente sobrepujada. Contudo, precursores existem para
saltar “muros”. A citação, aqui,
será do grupo musical “Paralamas do Sucesso”
e do seu vocalista Herbert Vianna. Culturalmente falando,
este compositor e cantor brasileiro divulgou a música
popular Argentina, regravando músicas de bandas
e cantores portenhos para nossos ouvidos.
Em suas caminhadas pelos versos argentinos, temos “Trac-Trac”
que em versão original é de Fito Páez,
e “Lourinha Bombril” outra versão a
“Párate y Mira” do conjunto Los Pericos.
De mais a mais, conseguiram ultrapassar a fronteira nos
anos 90, gravar em espanhol e realizar shows na Argentina.
Depois ter sofrido o grave acidente de ultraleve, Herbert
Vianna volta à estrada com João Barone e
Bi Ribeiro. Os Paralamas do Sucesso lançam Longo
Caminho, que marca o renascimento de Herbert como músico
e é definido por ele como "o disco da minha
renascença".
Renascença que é exemplar a muitos. A força
de vontade e o amor à vida não o deixaram
perder a essência da musicalidade a qual possui.
Herbert voltou a casa, e os Pára-lamas estavam
lá acompanhando sua recuperação e
tentando detectar o momento em que poderiam iniciar os
sons do sucesso. Quase quatro meses depois do acidente,
começava a tocar, como uma criança a engatinhar.
Apesar de toda seqüela, a memória musical
está basicamente intacta em Herbert e como de costume
volta a quebrar o ‘muro’ gravando com Fito
Páez Flores e espinhos. Mais uma vez, nos mesclamos
em Rio e Baires.
Flores
e Espinhos (Herbert Vianna)
Nessa época do ano
Quando o frio vem chegando
E há menos flores que espinhos
Os dias perdidos
Vem a luz
Ainda éramos filhos
Éramos amigos
Até sermos engolidos
Pela vida sem brilho
Por nossos inimigos
Na rotina comum
E sou só um
Mas não sou um deles
Eu sou só um
E mesmo que pareça tolo
E sem sentido
Eu ainda brigo por sonhos
Eu ainda brigo
Intercâmbios, e especialmente culturais, entre nossos
países precisam acontecer, a troca Páez
e Paralamas é um bom exemplo para entrarmos na
sua casa e vice e versa.
A ligação entre nossas culturas é
importante para nosso futuro, seja neste Mercosul ou não.
O que não podemos nesta hora é continuar
a política de ‘amanhã talvez’.
Como vizinhos e irmãos, alcançaremos o conhecimento
mútuo quando quebrarmos esta barreira Brasil-Argentina
caminhando às flores baires-cariocas e deixando
estes espinhos para acima da Linha do Equador!
Cuide
bem do seu amor (Herbert Vianna)
A vida sem freio me leva
Me arrasta, me cega
No momento em que eu queria ver
O segundo que antecede o beijo
A palavra que destrói o amor
Quando tudo ainda estava inteiro
No instante em que desmoronou
Palavras duras
Em voz de veludo
Há um segundo tudo estava em paz
Cuide bem do seu amor
Seja quem for
E cada segundo, cada momento, cada instante
É quase eterno, passa devagar
Se seu mundo for o mundo inteiro
Sua vida, seu amor, seu lar
Cuide tudo que for verdadeiro
Deixe tudo que não for passar! |
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